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Lizandra Barbuto Terapia Individual e Terapia em Grupo

Colhendo os Frutos Sutis: Uma Pausa para Nutrir a Alma ao Fim de um Ano


Dezembro chega como um sussurro ambíguo. Um mês que nos arrasta para o fim do ano com uma urgência sutil, enquanto parece ter uma energia que desacelera, talvez por uma obrigação de ter que mudar o tempo.


Mas e se, em meio a esse turbilhão, que tal parar, não para correr atrás do que falta, mas para colher o que já foi dado? 


Aprendi ao longo da vida que o verdadeiro autoconhecimento não surge de grandes revelações, mas desses momentos despretensiosos que tecem a nossa existência. Neste artigo, vamos revisitar 2025 não como uma lista de conquistas, mas como um jardim de presentes sutis: as conversas que nos aliviaram o peito, os rituais improvisados que nos ancoraram, as sensações efêmeras que, no entanto, nos transformaram. Vamos criar espaço para essa colheita gentil, onde a presença no aqui e agora revela o que o ego com sua ansiedade peculiar e cheio de expectativas, muitas vezes ignora. 


Se você está sentindo o peso do ano que se encerra, este é o seu convite para respirar e notar: o que nutriu sua alma sem alarde?



A Essência dos Pequenos Momentos: Por Que Colher o Invisível?


Te proponho aqui uma pausa suave para coletar os fragmentos que te nutriram, aqueles que o mundo exterior pode não ter aplaudido, mas que ecoam na sua essência.


Imagine o ano como um rio que flui, carregando pedrinhas polidas pelo tempo. As grandes ondas chamam atenção, mas são as pedrinhas, os momentos sutis que constroem a margem sólida da identidade. Por quê? Porque, o despertar é um processo gradual, uma consciência que se constrói a cada respiração atenta, a cada passo consciente, a cada história reconhecida. 


Isso não quer dizer sobre o que você se gabou ou riscou da lista sem prestar a atenção ou até ignorando. Eu quero dizer as pequenas vitórias, os momentos desajeitadamente belos, as mudanças sutis que só você notaria, o que só o coração percebe. 


Quais foram os momentos em que eu me senti mais leve, mesmo sem motivo aparente? Essa é a porta para o autoconhecimento, um caminho onde a liberdade interior floresce não apesar das imperfeições, mas através delas.


Vamos ao exercício prático para trazer e trazê-las à consciência as torna tangíveis. 


Pegue um pote, uma caixinha ou qualquer recipiente que ressoe com você — algo que evoque o sagrado no cotidiano. Reúna tiras de papel, post-its ou o que quiser para escrever. Reserve 10-15 minutos em um espaço tranquilo, onde o corpo possa se ancorar: sente-se com os pés no chão, respire fundo, conectando-se à energia nutritiva da Terra, com seu próprio espaço na sua pele, as memórias estão na pele. 


Agora, folheie o calendário da sua alma. Para cada mês, capture 1-2 momentos significativos. Não busque o grandioso; abrace o sutil. A conversa que dissolveu uma tensão antiga. O ritual de cinco minutos de autocuidado que se tornou um santuário. A risada inesperada que quebrou o silêncio. Escreva, dobre o papel e deposite no pote. Sinta o corpo responder: talvez um alívio no peito, uma lágrima quieta, ou simplesmente uma presença mais plena.


Ao final, posicione o pote em um lugar visível — na mesa de cabeceira, na cozinha, onde o dia a dia o encontre. Durante as festas e ao longo do ano, volte a ele: pegue uma tira, leia em voz alta, saboreie. Essa é a colheita da sua experiência vivida, um ato de constelação pessoal onde você honra o sistema invisível de memórias que o sustentou.


E você, o que sente ao revisitar esses fragmentos? Há um padrão emergindo, um fio de gratidão que conecta o ano inteiro?


Tecendo Histórias: Uma Jornada Pessoal na Colheita do Invisível


Para ilustrar o poder dessa prática, permito-me compartilhar uma memória da minha própria jornada, o que chamamos de "figura emergente", onde o passado ilumina o presente. 


Há alguns anos, em um dezembro particularmente caótico, eu facilitava um grupo para revisar o ano e auto cuidado. Uma das participantes, uma terapeuta como eu, chegou exausta, descrevendo o ano como um vazio de conquistas. "Nada de especial", disse ela, com os ombros curvados.

convidei o grupo a um exercício similar ao proposto aqui. Cada um depositou notas sobre momentos "insignificantes". A dela? Uma caminhada matinal onde notou o orvalho nas folhas, sentindo pela primeira vez em meses uma conexão com a natureza que a reconectou ao seu corpo. Outro compartilhou uma ligação breve com uma amiga, que dissolveu uma solidão. Ao final da sessão, o círculo se transformou: risos, lágrimas, uma rede de suporte tecida ali mesmo.


Essa experiência me lembrou de uma metáfora sufista que adoro: a vida como um tear, onde os fios grossos são os eventos visíveis, mas os finos — as pausas, as sensações fugidias, criam o padrão inteiro. Na minha prática, vejo isso repetidamente: clientes que, ao honrar o sutil, descobrem padrões que sustentam com solidez.


Não é sobre romantizar o sofrimento, mas sobre reconhecer que a transformação surge quando integramos o corpo (a ação ), a mente (a reflexão), o coração ( o sentimento) e o espírito (a busca).


Pense na sua própria tapeçaria: Que fio sutil e fino, ignorado até agora, é o suporte que permite a trama? 


Reflexões do Círculo Sagrado: O Que Te Nutriu?


Antes de prosseguirmos, uma pausa para o círculo interior. Qual desses elementos nutriu sua alma em 2025? Reconheça o que aconteceu que nem foi percebido em cada um desses campos da lista. Sem julgamentos, apenas curiosidade:


  • Um pequeno hábito ou ritual alegre.

  • Momentos de conexão com alguém.

  • Vezes em que você se permitiu descansar.

  • Mudanças internas sutis no pensamento ou sentimento.

  • Expressão criativa ou lúdica (escrita, desenho, música).

  • Atos de bondade que você deu ou recebeu.

  • Momentos com a natureza — notando luz, clima ou estações.

  • Momentos quietos de reflexão ou meditação.

  • Aprender algo novo que te inspirou.

  • Uma conquista tangível, grande ou pequena.


Essa reflexão, revela os sistemas invisíveis que nos sustentam. Honre o que emergir. 


Pausa para Escrever e Conectar


E agora, um brinde — erga seu copo imaginário, ou o que tiver à mão. Tilintar. Sorrir. Respire devagar, e ao expirar, sinta a gratidão irradiando. Você sobreviveu ao caos, notou as pequenas coisas, apareceu mesmo nos dias difíceis. Essas vitórias quietas importam, e elas se espalham como sementes.


Para fechar essa pausa, convido você a um exercício simples de escrita: pause, respire, escreva. Dedique 3-8 minutos ao seu ritmo interior.


  • De improviso (3 min): O que você quer lembrar deste ano? Deixe as palavras fluírem sem filtro.

  • Despeje tudo (5-8 min): O que você gostaria de ter capturado ou celebrado em tempo real, mas não fez? Sem autocrítica — apenas honestidade gentil.


Guarde essas anotações ou compartilhe: qual momento sutil te marcou? Sua voz pode nutrir outras pessoas.


Que 2026 seja uma extensão dessa colheita, cheia de presença e maravilha sutil.


 
 
 

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